O dilema da era digital
As redes sociais são um bálsamo para a alma, mas também têm o seu lado perverso. Quando se publica uma novidade (que seja positiva), uma mudança de vida, de emprego ou do que quer que seja, numa qualquer rede social, chovem comentários elogiosos de toda a parte. De amigos. Ou que se dizem amigos e que, até então, eram meros conhecidos.
Quando sucede, justamente, o oposto, ou seja, quando perdemos, por exemplo, o emprego, também é comum recebermos feedback positivo, seja ele de força, de incentivo, de elogio por aquilo que construimos. Porém, é nestas alturas que nos resguardamos. Que nos remetemos ao silêncio e não damos a conhecer aquilo que nos afeta. Aconteceu isso comigo. Não publiquei, absolutamente, nada. Porque não tinha necessidade nem vontade de contar a ninguém o que, realmente, me entristecera.
A verdade é que as notícias, mesmo as que não são publicadas na internet, correm depressa. Mais depressa do que imaginamos. Eu próprio constatei essa realidade. Ainda assim, foram poucas as palavras de conforto que recebi, na altura, tanto por telefone como por SMS.
Este estado de espírito faz-me remontar ao período em que ainda não existiam redes sociais. Nesse tempo, uma simples mensagem para o telemóvel fazia toda a diferença. Ou um mero telefonema a dizer-nos, simplesmente, que estão ali. As tais pessoas disponíveis para te ouvir e aconselhar.
Agora temos tudo à disposição e, ao mesmo tempo, não temos nada. As redes sociais tomaram conta do nosso mundo. Já não se enviam as tradicionais SMS's, tão-pouco se telefona a desejar os parabéns ou um feliz Natal. Adota-se a via mais simples e económica: escreve-se um post na rede social e... está feito! É assim que estamos na denominada era digital.
